A PALAVRA ESCRITA

Os novos evangélicos
Data: 17 de Agosto de 2010

     A revista Época (Editora Globo), do dia 9 de Agosto de 2010, publicou uma matéria de capa, dando notícias da existência no Brasil de um movimento que pretende uma reforma religiosa no meio evangélico. O título da matéria é sugestivo: “Os novos evangélicos”. Estão à frente do movimento, alguns líderes de grupos e comunidades cristãs, assim como, pastores procedentes das tradicionais igrejas presbiteriana e batista. O movimento vem tornar pública a indignação com os muitos abusos que acontecem todos os dias nas igrejas pentecostais e neopentecostais, assim como o excesso de formalismos nas igrejas tradicionais. Tudo aponta para o despertar de uma nova consciência religiosa, não mais disposta a deixar passar em branco os desmandos dos que se autodenominam “bispos”, “apóstolos” e “missionários”; homens que, com toda a certeza, Paulo chamaria de “falsos irmãos”. O que mais preocupa, é o escandaloso mercantilismo promovido por essas pessoas, que vem sendo feito em nome de Jesus e das Escrituras Sagradas.

     E, qual a razão para que essa gente prospere? É muito simples. Quem está por detrás dessa vil exploração, não é o Espírito de Deus, mas o de Satanás, o espírito das trevas. Com grande poder sobre as coisas do mundo, o inimigo consegue ajuntar essa multidão de infelizes, que pensa encontrar nessas igrejas, a saída para a desgraça financeira ou pelo insucesso de suas vidas terrenas. O diabo se enfiou nesses templos e oferece resposta aos anseios dessas pobres e desgraçadas almas que, sem terem qualquer noção do que é o Evangelho, aceitam tudo passivamente. Essa gente movimenta enormes quantias de dinheiro e pede pela televisão, insistentemente, verdadeiras fortunas. Nem o poder legal constituído, consegue fazer cessar esta triste situação.

     Cabe aos cristãos que não estão com os olhos tapados pelo véu da mentira, denunciar nas comunidades, essa obra ilusória e enganadora do maligno. É dever de todo homem de Deus trabalhar para que uma nova ordem religiosa seja estabelecida. E as bases não podem ser outras, senão aquelas da Igreja Primitiva, onde o que mais importava, não era ser bem sucedido nas coisas do mundo e sim, o servir uns aos outros em espírito de amor e de benevolência, conforme ensinou Jesus, nosso Senhor e salvador. Denunciar é testemunhar a favor de Cristo. Não se cale! Não podemos negar o Cristo diante dos homens, sob a pena Dele nos negar diante de Deus. Esta é uma hora grave e todos nós devemos nos atentar para as coisas que em breve devem acontecer.

     É importante ressaltar, que ao pretenderem uma nova ordem religiosa no movimento evangélico, ela precisa obrigatoriamente ser nova de verdade. Isso por quê? Porque se corre o risco de cair na mesma armadilha que o diabo armou logo depois da Reforma Protestante, quando convenceu os crentes, que eles deveriam mudar o mundo. O mundo está condenado e nós viemos ao mundo para nos salvar e salvar a quem puder nos ouvir. O sentido da Reforma empreendida por Lutero, que era espiritual e eterno, passou a ser material, terreno e temporal. Foi isso que levou ao nascimento dessas igrejas que buscam a prosperidade, e para as quais, a promessa da Vida Eterna nada significa. A vida terrena é apenas o meio, para o cumprimento da promessa. Vivemos esperando e anunciando a salvação. Se ensinarmos as pessoas que Deus quer dar uma boa vida a elas nesse mundo, nada poderá impedi-las de pensarem materialmente. E o resultado será este: uma multidão de igrejas, cujas lideranças, olham apenas para baixo; igrejas que escravizam o homem, em vez de libertá-lo. Não se pode cometer o mesmo erro.

     O sentido da vida é espiritual e não carnal. Nos três primeiros séculos da história cristã, a igreja deixou de ser espiritual, para tornar-se uma igreja ocupada com as coisas do mundo. Marchou por longos e obscuros séculos de braços dados com o poder temporal, cometendo todo tipo de desatino. Extinguiu-se o sopro do Espírito Santo, quando caçaram o direito do crente se manifestar nas assembléias. As reuniões de irmãos, onde o Evangelho era lembrado e comentado com simplicidade, foram substituídas pelas reuniões pomposas, marcadas pelo formalismo eclesiástico. Uma nova ordem precisa ser estabelecida, mas, os seus idealizadores precisam considerar a história como uma aula viva, oferecida por Deus, a respeito do que se deve ou não fazer. Os velhos erros não devem ser repetidos. E, evidentemente, uma tarefa dessas, não poderá estar com um ou outro homem, mas nas mãos da comunidade e de seus líderes, para que juntos discutam o futuro, que vem voando como a águia. Que Deus possa ajudá-los e ajudar a todos nós. Amém.

 
A Palavra de Deus