A PALAVRA ESCRITA

Os velhos equívocos
Data: 15 de Outubro de 2010

Nos primeiros séculos da história do cristianismo, o nascimento da igreja católica foi marcado pelo abandono das práticas cristãs primitivas e a criação de uma casta de sacerdotes, ordenada pelos homens. O clero passou a dominar a vida dos cristãos, nem sempre por livre vontade da parte deles. O catolicismo, desde o seu nascedouro, caracterizava-se pela união da igreja ao estado. A igreja, ajudava o poder a se manter como tal, e o poder ajudava a igreja a impor sua vontade às pessoas. É evidente que um espírito de constrangimento dominava as comunidades cristãs e se impôs às pessoas durante quase mil anos. Não é preciso dizer das barbaridades cometidas, tanto pelo poder temporal, quanto pelo poder da igreja. A história está repleta de tristes passagens.

A vida cristã, que a princípio simples e de espírito livre, tornou-se cativa e sem qualquer liberdade. O crente foi destituído da sua natural condição de sacerdote, impedido de falar em assembléias, de usar seus dons espirituais e de dar opinião a respeito dos destinos da igreja. Sua voz, não tinha qualquer valor. Tudo era resolvido pelo clero, que tomava decisões a que todos deveriam se submeter.

Depois de mil anos de mordaça e de muitos abusos, alguns padres começaram a discordar de posições assumidas pela cúpula da igreja. Os abusos eram tantos, que começaram a denunciá-los. Esse movimento culminou na Reforma Protestante, e tinha o monge alemão Martim Lutero, como o seu expoente. Lutero publicou no ano de 1517, suas 95 Teses, onde demonstrava as graves contradições existentes entre as práticas católicas e as orientações das Sagradas Escrituras.

A mordaça foi tirada da boca dos crentes e eles puderam novamente falar. Um grande esforço foi feito para que os cristãos voltassem às práticas da igreja primitiva. Muito se fez nesse sentido, não há dúvidas, mas o diabo não ficou quieto. Depois da Reforma Protestante, seguiu fazendo sua obra de destruição, como fez nos primeiros tempos da igreja. Depois de quinhentos anos, pode-se dizer que Satanás conseguiu enfiar o espírito do catolicismo em boa parte das igrejas evangélicas e protestantes.

O pastor é na verdade um padre que pode se casar; e recebe um bom salário para o desempenho das funções sacerdotais. Não estamos dizendo que é ilícito o pastor receber por sua função na igreja, mas que se repete com isso, a idéia velha da casta sacerdotal, isso não há dúvidas. Via de regra, os crentes são mantidos cativos, por quem deveria libertá-los. Não são poucos os pastores, que não sabem sequer que houve uma Reforma Protestante. Muitos são os que abrem uma porta qualquer; num lugar qualquer, com um nome qualquer e orientados possivelmente por um espírito qualquer, e lhe dá o nome de “igreja evangélica”. E o que praticam nessas igrejas? Ensinam o Evangelho de Jesus Cristo? Não. Não ensinam. Praticam uma doutrina confusa, onde passagens de um ou outro livro, do Velho e do Novo Testamento, são usadas para sustentar aquilo que chamam de “culto”. Resta saber o que é que cultuam e para quê o fazem. Ameaças e constrangimentos estão na ordem do dia. A finalidade dessas “igrejas”, não é a salvação da alma, nem o seu esclarecimento espiritual.

Não é pequeno o número de evangélicos que se alimenta do espírito da velha igreja. Não há interesse pelo estudo ou pelo conhecimento das Escrituras, nem mesmo em saber-se a respeito das coisas espirituais. Do mesmo modo que no catolicismo se espera que a obra de salvação seja feita pela igreja, no meio evangélico, não é diferente. A igreja evangélica virou uma casa de pedintes. Não se faz outra coisa a não ser pedir prosperidade material e solução para as coisas mais pueris da vida temporal. É mais ou menos o que se faz nos terreiros de umbanda e centros espíritas. Poucos entenderam que na igreja, deve-se ir buscar a salvação, o arrependimento e a luz para se sair da escuridão em que Satanás nos enfiou. Lutero deu um empurrão no diabo, mas não passou disso. O inimigo voltou com toda a sua força e está desgraçando as igrejas reformadas. Os velhos equívocos estão todos de volta.

Não somos contra nenhuma igreja, nem contra umbandistas, espíritas ou quem quer que seja. Mas é preciso abrir os olhos para as graves distorções existentes na prática religiosa cristã. Faltaram diretrizes que pudessem guiar os rumos da igreja nascente. Lutero era um sujeito espiritual e é até natural que sua doutrina, fosse esquecida em pouco tempo. Calvino, apesar do seu radicalismo, tinha uma visão humanista da vida e foi ele o pai da “criança”, isto é, das igrejas que passaram a olhar para baixo, em vez de olharem para cima, para a eternidade. Os pentecostais vieram como uma espécie de contrapeso, para puxarem o carro protestante para o lado espiritual. Mas, como o pentecostalismo nasceu da exaltação de espíritos, tornou-se uma confusão de rosto e ambiente propício para todo tipo de abusos. De um lado, as igrejas tradicionais se fecharam na ortodoxia e convencionalismo institucional; do outro, as pentecostais andam cada uma por si, ao sabor do espírito dos modernos profetas, nem sempre profetas de cima. Parece que se olharmos bem no trono de Deus, nós veremos que não é Ele quem está sentado lá.

Se o mundo fosse ter seguimento, não há dúvidas de que uma nova reforma deveria ser o caminho. Alguns irmãos evangélicos e protestantes, como os irmãos do passado, não estão mais suportando os abusos desse novo e confuso clero. Pensam em fazer uma nova reforma, para se discutir uma igreja mais fiel aos antigos fundamentos. Mas, estamos diante de um dilema: quanto tempo ainda o mundo ficará de pé? Uma reforma nas igrejas evangélicas demoraria algumas décadas para ser disputada e estabelecida. A pergunta é: teremos algumas décadas, antes do fim? A situação do mundo é grave, isso em todos os sentidos e são muitos os sinceros corações, que estão preocupados com o que vai acontecer. Quem é o profeta, que poderia dizer “é agora”? E qual deles, poderia dizer “não é agora”? Não dá para se ter certeza.

Duas medidas é preciso tomar com urgência: pensar em melhorar a prática e as diretrizes das nossas igrejas (a título de reforma) e conversarmos sobre o fim do mundo. Que cada crente sincero se pergunte a respeito dessas duas graves questões. Se você, meu irmão ou irmã, está à frente de uma igreja e quer tratar desses temas, faça contato conosco. Em tempo oportuno, estaremos conversando. As igrejas pentecostais, por serem livres de sistemas e ortodoxias, são mais favoráveis a ouvirem o chamado. Mas, todas são muito bem-vindas, evidentemente. Que Deus possa nos abençoar e conceder o Espírito Santo, para nos guiar nessa tarefa que a nosso ver, é inadiável. Em paz, o Senhor nos ajude. Amém.

A Palavra de Deus